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Governança corporativa nos tempos do agora

A governança corporativa corresponde a um conjunto de práticas que têm por objetivo dar forma e efetivamente fortalecer a organização, alinhando os interesses dos stakeholders - acionistas, sócios, diretores, entes regulatórios - em torno de controles e processos, que devem ser estruturados de forma ética e transparente.

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Como parte intrínseca aos princípios que norteiam as práticas, a governança corporativa é uma temática que tem hoje importância elevada dentre as corporações. Na realidade, indo além, a governança hoje é um elemento que é conhecido pelo grande público e que faz parte das práticas ESG, do qual a governança inclusive é o terceiro pilar.

Quando observamos, contudo, a velocidade com que o mercado hoje se move, a princípio há um contrassenso: ao mesmo tempo em que as organizações empresariais precisam operar com agilidade, com percepção aguçada, por outro lado a governança corporativa chega à equação como um elemento que propõe planificação de processos.

No artigo de hoje, iremos falar sobre como é possível para uma empresa de grande porte adotar novas práticas de governança corporativa, sem que isso represente engessamento de processos internos. Para saber mais, siga adiante.

Um caminho aparentemente tortuoso

Atualmente, para o empreendedor é fundamental buscar ações concretas que representem aderência aos ideais representados pela sigla ESG. Questões atinentes ao impacto ambiental, à responsabilidade social e à governança corporativa, apontam para um futuro em que, cada vez mais, as corporações sofrem pressão para apresentar posicionamentos, políticas e mecanismos que representem impacto positivo real de suas ações perante a sociedade.

Para atingir excelência em ESG, é necessário investir em diversas áreas. É um longo processo, que deve ser construído com o devido rigor, envolvendo gestores e colaboradores na busca por uma série de objetivos que irão garantir que as operações da empresa passem a considerar o impacto ambiental, a responsabilidade social e a transparência como parte dos valores da organização.

A implantação de ESG é de fato um processo abrangente, que requer uma revisão ampla dos processos internos e das iniciativas de negócios das companhias. A governança corporativa, como um dos pilares de ESG, é definida como o sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e impulsionadas. É um elemento da administração que envolve o relacionamento entre stakeholders, norteado por quatro princípios básicos:

  • Transparência, representando divulgação e troca de informações
  • Equidade, no sentido de garantir a todos os envolvidos o acesso à informação
  • Prestação de Contas por parte de todos os envolvidos
  • Responsabilidade Corporativa, buscando garantir a continuidade do negócio


Sob essa ótica, as boas práticas da governança corporativa convertem princípios básicos em recomendações objetivas, alinhando interesses com a finalidade de preservar e otimizar o valor econômico de longo prazo da organização, facilitando seu acesso a recursos e contribuindo para a qualidade da gestão da organização, sua longevidade e o bem comum.

Como parte dessa mudança de paradigma – ou de vários paradigmas – estabelecer governança corporativa pode representar um caminho longo e que, a princípio, pode parecer tortuoso.

Se você compartilha dessa percepção, saiba que é algo absolutamente normal. Toda mudança estrutural tem o condão de impactar de forma direta nas operações de uma organização empresarial. Investir em governança corporativa significa rever e eventualmente reestruturar ou criar processos. Muitas vezes, mudanças de alçada são necessárias, assim como novo posicionamento dos atores internos, redefinição de responsabilidades, ou até mesmo criação ou extinção de alguns cargos. Ou seja: não é tarefa simples.

É, no entanto, um caminho absolutamente necessário para as organizações. Aqui, a princípio, estamos falando de um sólido paradoxo, pois não conseguimos aprimorar controles internos sem torná-los mais lentos. Ao mesmo tempo, a dinâmica atual do mercado, em plena quarta revolução industrial, pede cada vez mais celeridade nos processos internos das companhias – sob pena de perda significativa de competitividade, o que pode em última análise levar não somente a perdas financeiras, mas também a dúvidas sobre a continuidade das operações.

Importante ressaltar que aqui a governança corporativa não é a inimiga em si. Muito pelo contrário, na realidade: à medida que os processos se tornam mais claros para todos os stakeholders, a solidez e a confiabilidade proporcionadas, aliadas à própria reestruturação interna, certamente colocarão a empresa em um novo patamar operacional. E, com isso, garantir maior eficiência e escalabilidade para suas operações.

Problemas e riscos no decorrer dos processos financeiros

A quarta revolução industrial e a governança corporativa

A quarta revolução industrial representa a transição em direção a novos sistemas econômicos que foram erigidos sobre as conquistas e as estruturas da revolução digital. É uma era em que o ambiente de negócios está em constante mutação. Na realidade, atualmente estamos apenas tateando todas as oportunidades que serão criadas a partir do estado constante de revolução tecnológica que vivenciamos.

Para acompanhar a velocidade dos tempos atuais, portanto, as empresas precisam estar estruturadas em torno de processos ágeis. É a agilidade nos processos decisórios internos, e dali refletindo nos processos operacionais, que determinará a continuidade dos negócios em uma era que já é dinâmica, e que se torna ainda mais ao longo do tempo.

Quando observamos a governança corporativa sob essa perspectiva, é natural pensarmos que são elementos antagônicos, como se o oposto à governança representasse uma alternativa mais em linha com os tempos atuais. Ou seja, como se a ausência de processos e controles representasse uma alternativa mais interessante do ponto de vista da agilidade.

À princípio, é como se a governança corporativa representasse um dos vértices de um triângulo amoroso, em que algum momento se assume que a governança e os processos representam uma relação impossível. 

No romance O amor nos tempos do cólera, Gabriel García Márquez relata a história de Florentino Ariza e Fermina Daza. Ele, um jovem ainda despreparado para a vida; ela, uma herdeira de uma fortuna decadente. No princípio, o vigor, a jovialidade e a criatividade de Florentino parecem muito atraentes à jovem Fermina. Com as idas e vindas da história, a jovem posteriormente se encanta por um médico, Juvenal Urbino, que representa maior estabilidade e confiabilidade. É um amor maduro, em cima do qual o autor estabelece com maestria a dualidade entre a efemeridade de relacionamentos juvenis, com a estrutura que é um casamento.

Aqui o paralelo é claro. Sua empresa pode funcionar relativamente bem sem processos definidos, o que aparentemente pode representar agilidade. Funções pouco definidas podem representar descentralização e flexibilidade, assim como processos podem ser redefinidos a todo o momento, para que tudo seja realizado de forma direta.

Essa, no entanto, é uma opção perigosa. À medida que você se permite conviver com aparentes flexibilidades, irá também conviver com incertezas. O que pode a princípio parecer com uma maior liberdade para ações, na realidade representa falta de método de gestão. E uma gestão sem método pode não olhar o todo na pior hora possível.

A governança corporativa, e seus processos definidos, à princípio pode representar engessamento e morosidade. Essa percepção é equivocada. Isso porque é justamente o estabelecimento de processos que permite ganhos significativos em velocidade de iniciativas, quando as operações tomam novo porte. Lirismos à parte, uma coisa é certa: sua empresa pode ter nascido sem processos. Mas será com a governança corporativa implementada que você terá todos os elementos de que precisa para garantir o controle e a segurança necessários para ganhar escala.

É a governança corporativa bem implementada que irá situar sua empresa na quarta revolução industrial de forma segura e assertiva.

Entendendo o desafio da Governança Corporativa

Recentemente, um levantamento da consultoria Accenture apontou para dificuldades importantes que diretores e C-Levels têm enfrentado para avançar por esta agenda. Conforme o levantamento, setenta  e três por cento dos CEOs afirmam que a dificuldade de medir e obter dados de ESG na cadeia de valor é uma barreira para a sustentabilidade em suas áreas de atuação.

Isso acontece, normalmente, por uma certa miopia no encadeamento de passos que são necessários para a implementação da governança corporativa de forma ampla. Trocando em miúdos, muitas vezes falta à gestão das companhias não só as competências necessárias para implantação de governança, mas também e principalmente conhecimento quanto a ferramentas de mercado, que estão disponíveis para prestar grande auxílio a processos internos e, com isso, contribuir de forma decisiva para a implantação de governança corporativa nos seus mais diversos níveis.

Aqui, o segredo é estar atento ao que o mercado pode oferecer em termos de ferramentas, sempre olhando para dentro, a fim de identificar as áreas e os processos que precisam ser priorizados nesta busca por transparência e segurança institucional e jurídica. Cada empresa possui uma estrutura específica, que é normalmente derivada de uma mistura entre características inerentes ao seu mercado de atuação, posicionamento de mercado, modelo de negócios e vivência da liderança e colaboradores. É conhecendo os pormenores do seu negócio, que você será capaz de priorizar na medida certa.

Nesse ínterim, há naturalmente elementos que são comuns à maioria das operações. O compliance fiscal, por exemplo, é parte fundamental desse conjunto de coisas, à medida que representa o cumprimento das obrigações tributárias da organização. 

Interessante notar que aqui há uma clara interseção entre governança e responsabilidade social, dois dos três pilares de ESG. Naturalmente, a arrecadação das empresas está inserida em um contexto de interação com a administração pública, que por sua vez é um ator de políticas sociais diversas. A governança corporativa contribui, portanto e de forma muito significativa, para que sejam atendidos também os aspectos inerentes à responsabilidade social que o público hoje busca nas corporações.

Ainda de acordo com o estudo da Accenture, a obtenção de ferramentas e de suporte tecnológico contribuiu para que 53% das respondentes alcançassem suas metas de ESG. O número, porém, mostra uma lacuna entre a intenção e a ação na implantação da agenda das práticas de preservação ambiental, responsabilidade social e corporativa.

Departamto financeiro andando a caminho das reuniões

Quando o que deveria ser norma se torna um diferencial

Recentemente, dois estudos importantes vieram lançar uma luz sobre a questão da efetividade da governança corporativa em startups. Esse tipo de empresa é particularmente vulnerável à ausência de governança.

O primeiro estudo foi realizado pela consultoria Better Governance, e apurou que apenas 17,6% das startups brasileiras encontram-se em estágios mais amadurecidos em termos de adoção de boas práticas de governança corporativa. Esse é um dado que demonstra, com a devida clareza, como a governança ainda não é uma prioridade para essas empresas – o que é surpreendente, à medida que percebe-se que na maioria dos casos a inovação e a disrupção nos negócios, não andam de mãos dadas com as demandas da sociedade por ESG nas empresas.

O segundo levantamento foi feito pela Fundação Dom Cabral, e adicionou uma dose adicional de preocupação. De acordo com a pesquisa, uma em cada quatro companhias novatas acabam no primeiro ano de vida. Metade não ultrapassa o quarto ano de existência. É virtualmente impossível evitar pensar que, ao menos em parte, muito dessa mortandade se deve à falta de governança corporativa.

Para empresas que buscam aprimorar constantemente seus controles internos, garantindo que os mecanismos de governança funcionem de forma satisfatória, naturalmente as taxas de insucesso caem de forma perceptível. Isso ocorre porque, com transparência e controle, é possível antever cenários com muito mais assertividade. Além disso, a manutenção do compliance torna mais fácil o convívio com órgãos reguladores, com o fisco e até mesmo com potenciais investidores.

Vê-se, portanto, que a governança corporativa pode representar uma vantagem competitiva importante para empresas de todos os portes e áreas de atuação.

Como implementar governança corporativa

Para implementar a governança corporativa com assertividade e bons resultados, é preciso estabelecer um plano claro, buscando a conscientização e o engajamento dos stakeholders. Cabe destacar que as etapas descritas a seguir podem ser aplicadas tanto em uma empresa em estágios iniciais de adoção das boas práticas de governança, quanto em empresas que já percorreram parte do caminho e já praticam a governança, e que agora buscam atingir novos patamares em termos de compliance.

1. Hierarquia

Naturalmente, as empresas de grande porte contam com diversos setores internos, com diferentes especialidades, organizados de forma a executar a sua atividade-fim com lucratividade e eficiência.

Reforçar a estrutura hierárquica da sua empresa torna possível definir os papéis individuais, estabelecendo quem são os tomadores de decisão e os responsáveis pela gestão das diferentes áreas. Estabelecer uma cadeia de comando, de forma transparente, é um passo importante para que novas práticas e novos processos sejam adotados.

Uma ideia interessante, para reforçar sua estrutura hierárquica mais clara, é criar um organograma e incluir esse documento na comunicação de onboarding dos novos funcionários. Estabelecer lideranças claras evita sobrecargas de fiscalização e tomadas de decisões em gestores de cargo mais elevado, permitindo que cada um cumpra o seu papel adequadamente, dentro do que for estabelecido pelas políticas institucionais.

2. Código de Conduta

O código de conduta é uma ferramenta de suma importância para garantir que todas as áreas da sua empresa atuem conforme as boas práticas de governança e compliance. É através desse documento, que são definidas as normas e práticas que devem ser observadas por todos os colaboradores da empresa. 

Desde que desenvolvido e implementado com base nos princípios éticos e valores pelos quais uma empresa deve ser conduzida, o código de conduta define o comportamento aceitável para os membros. Esses parâmetros, juntamente ao organograma da estrutura hierárquica, servirão para definir quem são os responsáveis por fiscalizar a conduta de cada departamento da empresa.

Outro ponto importante, é que o código de conduta deve ser constantemente revisto. Isso garante que serão mantidas sua viabilidade e eficiência.

3. Conselho Administrativo

Com função de fiscalizar e certificar que os princípios e valores da empresa são cumpridos diariamente, o Conselho Administrativo é essencial para o desenvolvimento da Governança Corporativa nas empresas.

Este órgão deve contar com profissionais de diferentes áreas de expertise, que devem ser capazes de conectar os interesses e desejos dos stakeholders e as boas práticas de governança, desenvolvendo processos decisórios pautados por uma conduta ética e respeitável.

4. Práticas transparentes

Iniciativas que promovem a transparência são de grande importância, à medida que representam um dos princípios de maior importância na governança corporativa.  Nesse ínterim, realizar a prestação de contas e transmitir relatórios de desempenho para seus stakeholders garante tranquilidade e confiança no investimento.

Um bom exemplo é o relatório de práticas referentes a ESG. As práticas adotadas pela sua organização para garantir o cumprimento das boas práticas da governança corporativa, da sustentabilidade e da responsabilidade social, referentes ao ESG Framework, devem ser monitoradas com o devido critério. Além disso, seus números obtidos devem ser amplamente divulgados. 

5. Auditorias periódicas

A realização de auditorias internas têm por objetivo garantir a razoabilidade e a validade dos números que são apresentados pelos indicadores de performance, e dessa forma garantir a assertividade de seus resultados. Assim, de forma prática você terá uma equipe mais alinhada, e efetivamente responsável pelos próprios atos. 

Em auditorias externas, conquistamos maior credibilidade sobre os dados de performance da companhia. Esse tipo de auditoria é especialmente relevante como reporte para investidores, servindo ainda como atestado ao fato de que a empresa está cumprindo suas obrigações quanto aos ideais de eficiência, sustentabilidade e responsabilidade social, bem como o respeito às legislações e normas vigentes.

Dattos: compliance e governança corporativa

A Dattos é uma plataforma que foi criada para atuar na automatização dos seus processos de análise e conciliação contábil, fiscal e financeira. Nossa plataforma atua cruzando de forma automática diferentes registros, de diferentes fontes de dados, garantindo dessa forma a qualidade dos registros contábeis – e com isso contribuindo de forma significativa para que a sua empresa mantenha o compliance 100% em dia.

Assim, contribuímos de forma decisiva para que a sua empresa cultive as boas práticas da governança corporativa, enquanto afastamos boa parte dos riscos fiscais inerentes às suas operações.